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Inventário de Emissões de Poluentes Atmosféricos do Distrito FederalAtmosféricos do Distrito Federal – Ano-base 2024
O Brasília Ambiental apresenta o Inventário de Emissões de Poluentes Atmosféricos do Distrito Federal, uma ferramenta estratégica para identificar, quantificar e localizar as principais fontes emissoras de poluentes atmosféricos existentes no território distrital.
O estudo foi elaborado pela Acoem Ambiental Ltda., no âmbito do Convênio nº 058728/2023, celebrado entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Brasília Ambiental.
O inventário tem como objetivo quantificar e georreferenciar as emissões atmosféricas provenientes de diferentes fontes, incluindo fontes pontuais, móveis e de área, constituindo uma importante base de dados para a gestão da qualidade do ar, o desenvolvimento de estudos de dispersão atmosférica e o aprimoramento da rede de monitoramento da qualidade do ar no Distrito Federal.
A qualidade do ar é influenciada por diferentes atividades humanas e processos naturais, como atividades industriais, transporte, queimadas, construção civil, geração de resíduos, agricultura e outras fontes emissoras. Nesse contexto, o Inventário de Emissões de Poluentes Atmosféricos permite:
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Identificar as principais atividades responsáveis pela emissão de poluentes atmosféricos;
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Quantificar a carga de poluentes lançada na atmosfera;
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Localizar espacialmente as fontes emissoras;
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Apoiar estudos de dispersão atmosférica;
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Subsidiar estratégias de controle e redução de emissões;
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Orientar ações de aprimoramento da rede de monitoramento da qualidade do ar.
O estudo integra as ações previstas na Política Nacional de Qualidade do Ar (Lei Federal nº 14.850/2024), que reconhece o inventário de emissões atmosféricas como instrumento fundamental para o planejamento, gestão e controle da qualidade do ar.
Como o inventário foi elaborado
O Inventário de Emissões de Poluentes Atmosféricos do Distrito Federal foi desenvolvido considerando o ano-base 2024 e utilizou uma abordagem integrada para identificar, quantificar e espacializar as principais fontes emissoras de poluentes atmosféricos existentes no território distrital. A elaboração do estudo envolveu a consolidação de diferentes bases de dados, metodologias de estimativa de emissões e informações provenientes de instituições públicas e privadas, permitindo uma caracterização abrangente das fontes emissoras.
Ano-base
O inventário tem como referência o ano de 2024, considerando as informações disponíveis e representativas das atividades emissoras desenvolvidas no Distrito Federal nesse período.
Fontes de dados
Foram integrados dados primários e secundários provenientes de diferentes fontes de informação.
Os dados primários foram obtidos junto a 52 empreendimentos industriais, contemplando informações específicas sobre processos produtivos, combustíveis utilizados, equipamentos de controle e características das emissões.
Também foram utilizados dados secundários provenientes de órgãos e instituições parceiras, incluindo:
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Departamento de Trânsito do Distrito Federal – DETRAN/DF;
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Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis – ANP;
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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE;
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Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal – DER/DF;
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Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação – SEDUH;
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Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal – SLU;
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Entre outros órgãos e bases de dados técnicas.
Metodologia aplicada
Para estimar as emissões atmosféricas foram utilizadas metodologias reconhecidas internacionalmente, combinando duas abordagens complementares:
Abordagem Bottom-Up (de baixo para cima)
Permite maior detalhamento das emissões a partir de informações específicas das fontes emissoras, como características dos processos produtivos, consumo de combustíveis, equipamentos e parâmetros operacionais.
Abordagem Top-Down (de cima para baixo)
Utiliza dados agregados e indicadores regionais ou nacionais para estimar emissões de determinadas fontes quando informações detalhadas não estão disponíveis.
A combinação dessas metodologias possibilitou uma avaliação mais completa das emissões atmosféricas, considerando diferentes categorias de fontes, incluindo fontes pontuais, móveis e de área.
Sempre que disponíveis, foram priorizadas informações provenientes de monitoramento contínuo de emissões, medições diretas e laudos de amostragem, garantindo maior representatividade e confiabilidade aos resultados obtidos.
Referências técnicas
A metodologia adotada seguiu referências técnicas nacionais e internacionais, incluindo:
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Diretrizes da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos – US EPA, especialmente os fatores de emissão AP-42;
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Guia de Inventário de Emissões EMEP/EEA – European Monitoring and Evaluation Programme / European Environment Agency.
Essas referências são amplamente utilizadas na elaboração de inventários de emissões atmosféricas e contribuem para a padronização e comparabilidade dos resultados.
Poluentes avaliados
A definição dos poluentes contemplados no Inventário de Emissões de Poluentes Atmosféricos do Distrito Federal considerou critérios relacionados à legislação ambiental vigente, relevância para a qualidade do ar e viabilidade técnica para estimativa e acompanhamento das emissões. A seleção teve como referência principal a Resolução CONAMA nº 506/2024, que estabelece padrões nacionais de qualidade do ar e define os poluentes prioritários para avaliação ambiental. Foram considerados:
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Partículas Totais em Suspensão (PTS);
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Material Particulado Inalável (MP₁₀) e Material Particulado Fino (MP₂,₅);
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Monóxido de Carbono (CO);
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Dióxido de Enxofre (SO₂);
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Óxidos de Nitrogênio (NOx);
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Compostos Orgânicos Voláteis (COVs).
Além dos poluentes regulamentados, foram incluídos compostos de interesse específico para determinadas atividades existentes no Distrito Federal, considerando sua relevância ambiental e sua relação com processos produtivos específicos:
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Carbono Negro (BC): utilizado como indicador de processos de combustão incompleta, especialmente associados à queima de combustíveis fósseis, como diesel, e à queima de biomassa, apresentando relevância tanto para a qualidade do ar quanto para estudos climáticos;
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Metano (CH₄) e Amônia (NH₃): avaliados em setores como agropecuária, tratamento de resíduos e efluentes, onde representam emissões relevantes associadas aos processos de decomposição e atividades produtivas.
O Ozônio (O₃) não foi incluído como poluente emitido diretamente pelas fontes inventariadas, uma vez que se trata de um poluente secundário, formado na atmosfera por meio de reações fotoquímicas envolvendo principalmente seus precursores, como óxidos de nitrogênio (NOx) e compostos orgânicos voláteis (COVs).
Emissões atmosféricas no Distrito Federal – Ano-base 2024
Os resultados do inventário demonstram a contribuição dos diferentes setores para as emissões atmosféricas no Distrito Federal.
Monóxido de Carbono (CO)
11,45 milhões de toneladas/ano
Associado principalmente aos processos de combustão, com contribuição relevante de atividades industriais, transporte e queimadas.
Óxidos de Nitrogênio (NOx)
3,33 milhões de toneladas/ano
Relacionados principalmente aos processos de combustão industrial e às emissões provenientes do transporte.
Material Particulado Inalável (MP10)
470,9 mil toneladas/ano
Com contribuição significativa das emissões veiculares e da ressuspensão de partículas presentes nas vias.
Material Particulado Fino (MP2,5)
56,9 mil toneladas/ano
Poluente de elevada relevância para a saúde pública devido à sua capacidade de penetração no sistema respiratório.
Compostos Orgânicos Voláteis (COVs)
212,3 mil toneladas/ano
Associados a processos industriais, emissões evaporativas, queimadas e atividades agropecuárias.
O estudo tambem identificou diferentes perfis de contribuição por fonte. Os processos industriais apresentam participação relevante nas emissões de poluentes gasosos, como CO, NOx e SOx, enquanto as emissões associadas ao transporte apresentam contribuição expressiva para o material particulado, especialmente MP10, devido à ressuspensão de partículas nas vias. As queimadas possuem papel relevante nos episódios de poluição atmosférica durante o período de estiagem, principalmente para MP2,5 e compostos orgânicos.
Distribuição espacial das emissões
O inventário apresenta uma abordagem georreferenciada das fontes emissoras, permitindo identificar áreas com maior potencial de contribuição para a poluição atmosférica no Distrito Federal.
Os resultados indicam diferentes padrões de distribuição:
Áreas industriais
Concentração de emissões associadas aos principais polos industriais e empreendimentos licenciados.
Principais corredores viários
Influência das emissões veiculares e da ressuspensão de partículas ao longo das rodovias e vias urbanas.
Áreas de vegetação e unidades de conservação
Influência das queimadas e incêndios florestais durante períodos de seca.
Regiões de maior densidade urbana
Contribuição associada ao transporte, atividades comerciais e serviços.
A espacialização das emissões permite direcionar ações de monitoramento, fiscalização e planejamento ambiental, contribuindo para uma gestão mais eficiente da qualidade do ar.
Inventário de Poluentes Atmosféricos x Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE)
Embora estejam relacionados ao tema ambiental, os dois inventários possuem objetivos distintos. O Inventário de Emissões de Poluentes Atmosféricos tem como foco a qualidade do ar em escala local. Avaliando as substâncias emitidas diretamente na atmosfera que podem comprometer a saúde humana, o bem-estar da população e os ecossistemas. Seus resultados apoiam ações como:
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Monitoramento da qualidade do ar;
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Controle de fontes emissoras;
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Modelagem da dispersão de poluentes;
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Definição de medidas para proteção da saúde pública.
O Inventário de Gases de Efeito Estufa tem como foco o impacto global sobre o clima e o aquecimento da Terra. Avalia gases responsáveis pela intensificação do efeito estufa, como o Dióxido de Carbono (CO₂), o Metano (CH₄) e o Óxido Nitroso (N₂O). A Secretaria de Estado e Meio Ambiente do Distrito Federal disponibiliza o Inventário de GEE em https://www.sema.df.gov.br/inventario-de-gee-do-df. Seus resultados apoiam políticas de:
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Mitigação das mudanças climáticas;
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Redução da pegada de carbono;
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Planejamento climático.
Próximas etapas: modelagem da dispersão atmosférica e aprimoramento da rede de monitoramento da qualidade do ar
No âmbito do Convênio nº 058728/2023, celebrado entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Brasília Ambiental, estão em andamento estudos complementares ao Inventário de Emissões Atmosféricas, com previsão de conclusão nos próximos meses.
As próximas etapas contemplam a realização da modelagem da dispersão atmosférica, que permitirá avaliar o comportamento dos poluentes emitidos no território do Distrito Federal, identificando áreas com maior potencial de concentração de poluentes e subsidiando ações de controle e planejamento ambiental.
Também está em desenvolvimento o estudo para ampliação e modernização da Rede de Monitoramento da Qualidade do Ar do Distrito Federal, utilizando os resultados do inventário e da modelagem para definir áreas prioritárias de monitoramento e aprimorar a representatividade da rede existente.
Essas ações fortalecerão a gestão da qualidade do ar no Distrito Federal, ampliando a capacidade de acompanhamento das emissões atmosféricas e contribuindo para a proteção da saúde da população.
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