Governo do Distrito Federal
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5/05/20 às 8h56 - Atualizado em 11/05/20 às 11h34

Pet’s e distanciamento social: a importância dos animais domésticos em tempos da Covid-19

*THULIO CUNHA MORAES

 

A domesticação de animais, que começou há mais de 12 mil anos, guarda relação com o princípio básico da humanidade: a sobrevivência. No início, serviam de alimento, como companheiros de caça e como reforço na proteção das comunidades, visando garantir a preservação da espécie humana.

 

Os tempos mudaram e, ao longo dos anos, cachorros, gatos e outros animais conquistaram o lado afetivo dos seres humanos e ganharam espaço nas famílias por todo o mundo.

 

Mas, ainda assim, é possível afirmar que os bichos de estimação ainda continuam contribuindo para a nossa sobrevivência, em especial nesse cenário da pandemia da Covid-19, onde eles têm sido grandes aliados contra a ansiedade e contra a solidão impostos pelo distanciamento social e pela quarentena.

 

Dados do IBGE (2013) estimam que existam mais cachorros de estimação do que crianças nos lares brasileiros. Cães e gatos somam mais de 74 milhões de animais criados dentro de casa pelo Brasil a fora. Segundo esse mesmo levantamento, no Distrito Federal estima-se que mais de 350 mil domicílios tenham um ou mais animais de estimação, o que significa dizer que já temos mais de meio milhão de cachorros e mais de 100 mil gatos nos domicílios dos brasilienses. A quantidade total de caninos e felinos somam 645 mil animais de estimação na capital federal.

 

E não é necessário recorrer à estatística para constatar que esse número continua crescendo. Notícias veiculadas nos últimos dias informam que a quarentena fez crescer o número de adoções chegando a esvaziar alguns abrigos de animais nos Estados Unidos, por exemplo. E tudo isso se deve ao efeito terapêutico que surge a partir da convivência diária com esses pequenos.

 

E a relação entre humanos e animais é tão forte que já vem sendo ministrada como tratamento médico. A Terapia Assistida por Animais (TAA), chamada popularmente de Pet Terapia, não é novidade para os brasileiros. Trata-se de um tratamento auxiliar para diversos tipos de doenças e comprovadamente desencadeadora de “bem-estar, saúde emocional, física, social e cognitiva” onde o animal é o principal agente da Terapia.

 

Uma publicação em 2016 na Revista de Medicina da Universidade de São Paulo (Terapia assistida por animais e sua influência nos níveis de pressão arterial de idosos institucionalizados) revela que o estudo comprovou que os animais mostram-se verdadeiros antídotos contra o estresse e a ansiedade, fatores que muito contribuem para o surgimento das doenças cardiovasculares.

 

Além disso, a Pet Terapia mostrou resultados bem positivos na amenização dos sentimentos de inutilidade, de incapacidade, da dor e da solidão que acometem, em geral, os idosos. Os autores citam outros estudos nos quais a terapia com animais aliou-se a atividades físicas como caminhadas e passeios, gerando benefícios físicos e emocionais, momentos de relaxamento e alegria, em uma integração de corpo e alma com os animais, o que propicia a redução da pressão arterial.

 

Em Brasília a Secretaria de Saúde apresentou recentemente o projeto Pet Amigo, coordenado por Karoline Lazzarotto, que consiste basicamente em levar cães para visitarem pacientes que necessitam ficar internados por muito tempo, com o intuito único e exclusivo de reduzir a dor, a ansiedade e a depressão desses pacientes. Essas iniciativas apenas reforçam o potencial desses animais no tratamento de enfermidades ligadas ao humor e atreladas ao sentimento de inutilidade, de incapacidade, da dor e da solidão.

 

Os tempos de distanciamento social e quarentena aqui em Brasília, estado da federação em que mais de 200 mil pessoas já receberam o diagnóstico de depressão, elevaram os nossos Pet’s a um patamar ainda mais importante. Hoje eles se apresentam como verdadeiras doses homeopáticas e diárias de medicamento indicado para prevenir e combater o estresse, a solidão, a tristeza, a ansiedade e, consequentemente, como auxílio no tratamento da depressão.

 

E assim os nossos animais de estimação seguem contribuindo para a nossa sobrevivência, que se tornou um pouco mais difícil em tempos de quarentena e distanciamento social.

 

 

*Advogado e chefe da Procuradoria Jurídica do Instituto Brasília Ambiental.

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