Governo do Distrito Federal
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10/05/21 às 9h57 - Atualizado em 11/05/21 às 10h20

Perguntas Frequentes sobre caramujo africano

O caracol conhecido como caramujo-gigante-africano, pertence a espécie – Achatina fulica – e se originou no leste africano. A partir dessa região, proliferou-se para diversas partes do planeta, inclusive o Brasil. Sua disseminação pelo mundo ocorreu por meio do transporte intercontinental de cargas e também de forma intencional em alguns locais, por meio de importações. No Brasil, os caramujos-gigantes-africanos foram importados por cooperativas do Paraná na década de 80 no intuito de comercializá-los como uma alternativa culinária em substituição ao escargot que é um molusco da espécie Helix aspersa maxima, muito apreciado na culinária francesa. Tais expectativas de mercado acabaram não se concretizando, levando ao abandono dessas criações, viabilizando sua proliferação para praticamente todo o território nacional.

 

Essa característica deve-se ao fato destes moluscos serem muito eficientes para sobreviver e se reproduzir. O fato de não terem predadores naturais, alia-se ao fato de crescerem relativamente rápido, pois são resistentes e capazes de consumir uma ampla gama de alimentos. Quando tem cerca de seis meses de idade se tornam hermafroditas, ou seja, desenvolvem órgãos reprodutivos femininos e masculinos. Algumas semanas após o acasalamento, cada caramujo pode depositar entre 10 e 400 ovos, dependendo das condições ambientais. Por causa dessas características, suas populações crescem de forma acelerada.

 

No Cerrado, existe um caracol com o porte semelhante ao do caramujo-gigante-africano denominado aruá-do-mato – Megalobulimus sp. Geralmente possuem a concha com um formato mais arredondado e em tons mais claros, enquanto o molusco africano possui concha mais alongada e tons mais castanhos. Outra característica notável é que enquanto os aruás-do-mato raramente apresentam-se em quantidade maior a um indivíduo na natureza, dificilmente você encontrará caramujos-africanos isolados.

 

Considerando que já foram catalogados indivíduos da espécie portadoras de parasitas capazes de trazer sérias complicações à saúde humana, não é recomendada a ingestão desses indivíduos, independentemente de sua forma de preparo.

 

Dado o alto nível de proliferação destes moluscos exóticos no país, em 2005 foi editada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama a Instrução Normativa n.º 73, que proíbe a criação e comercialização dos caramujos-gigantes-africanos e de seus ovos. Dessa forma, não é permitido o manuseio da espécie seja para quaisquer fins.

 

Os caramujos-gigantes-africanos são hospedeiros intermediários de larvas de nematódeos responsáveis pela transmissão de duas doenças: a angiostrongilíase abdominal e a meningoencefalite eosinofílica. O fato destes moluscos serem hospedeiros, não quer dizer que todos estejam infectados. Independentemente disso, é de suma importância que sempre que haja a necessidade de fazer o manejo desses indivíduos em sua residência, que sejam adotados todos os cuidados para evitar o contato direto com o animal.

 

Não é recomendada a eliminação destes e de outros moluscos por meio da utilização de sal. Além dessa prática não ser eficiente o bastante para eliminar os caramujos, há grandes chances dela salinizar os solos e contaminar os lençóis freáticos, caso seja amplamente difundida. Ademais, tal prática não garante a destruição da concha e nem dos ovos. Vale lembrar que as conchas vazias podem servir como reservatórios de água que servem como criadouro para o mosquito da dengue.

Acondicioná-los em sacos de lixos comuns ou reforçados estaria transferindo o problema do seu lote para outro local ou região, considerando que provavelmente esse saco se romperá dentro do caminhão de lixo, no aterro sanitário ou até mesmo na rua aguardando a coleta, considerando que os caramujos conseguem romper facilmente esse tipo de invólucro.

 

A catação manual dos caramujos-africanos e seus ovos é a melhor forma de eliminação dessa espécie. Em diversos casos onde a catação manual foi realizada periodicamente durante a época chuvosa, implicou em um número bastante reduzido destes indivíduos e seus ovos na estação chuvosa subsequente.

A seguir citaremos o passo-a-passo a adotado para o manejo adequado e seguro dos caramujos-africanos e ovos em seu quintal e a melhor disposição final.

 Use luvas descartáveis ou um saco plástico para proteger as mãos;

 Recolha os caramujos-africanos do chão, plantas, troncos, paredes, etc. e coloque dentro de um recipiente que será utilizado somente para esse fim. Atente-se para recolher também os caramujos-gigantes-africanos pequenos e principalmente seus ovos que encontram-se semi-enterrados na terra úmida e em meio a vegetação;

 Encha o recipiente com 3 partes de água para 1 de água sanitária e deixe coberto por 12 horas;

 Descarte o líquido do recipiente e macere os caramujos com suas conchas e seus ovos. Relembrando a importância de certificar-se da quebra das conchas considerando a possibilidade de servirem de reservatório para proliferação do mosquito da dengue. Para realizar a maceração, pode ser utilizado um pedaço de madeira ou qualquer outro instrumento similar;

 Enterre todo o conteúdo do recipiente em uma cova rasa, de preferência depositando uma pá de cal ao fundo, para evitar contaminação do solo e do lençol freático.

 

9. Posso tocar sem luvas no visco deixado pelos caramujos-africanos no chão e nas paredes?

Em áreas onde existem caramujos-africanos, estes costumam deixar rastros de muco pelo caminho percorrem. Deve-se evitar entrar em contato com esse visco com as mãos nuas estendendo-se o cuidado principalmente a crianças que costumam levar a mãos aos olhos e boca após brincarem nesses locais.

 

10. Existe algum risco para o meu animal de estimação (cão/gato) ao se alimentar de caramujos-africanos?

Os moluscos, em geral, que habitam áreas residenciais podem portar parasitas que fazem mal a cães e gatos domésticos principalmente, se estes animais tiverem o hábito de comer esses indivíduos com frequência. Portanto, aconselha-se a coleta manual e destinação apontadas no item 8.

 

11. O Distrito Federal possui alguma estratégia para combate a proliferação do caramujo-africano?

Após a realização do 1º Workshop de Espécies Exóticas Invasoras da Flora e Fauna do Distrito Federal, o Instituto Brasília Ambiental mantém uma parceria com o Laboratório de Biologia Evolutiva da Universidade de Brasília – UnB que tem como objetivo subsidiar o Plano Distrital, trazendo um panorama de percepção dos brasilienses com relação aos caramujos-africanos, além de análises biológicas e parasitária de indivíduos coletados nas mais diversas regiões da cidade.

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