Governo do Distrito Federal
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30/01/13 às 14h01 - Atualizado em 17/12/18 às 11h24

Na Mídia – Alerta vermelho para as espécies em extinção

O Instituto Brasília Ambiental (Ibram) elabora lista de animais do Distrito Federal e de Goiás sob risco de desaparecer. A relação será publicada e deve servir de referência para futuras ações de preservação e conservação do meio ambiente

 

(Publicado no Correio Braziliense, de 30/1/13)

Uma lista de animais ameaçados de extinção deixa transparecer como uma região trata a própria Fauna. E, mais do que isso, permite direcionar as políticas ambientais para garantir a preservação das espécies vulneráveis. Obrigatória por lei em todas as unidades da Federação desde dezembro de 2011, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), em parceria com pesquisadores, elabora a relação da Fauna do Distrito Federal e de Goiás que corre o risco de desaparecer. O trabalho deve ser concluído ainda neste ano e vai virar decreto distrital e um livro de alerta vermelho. A revisão será feita a cada cinco anos.

Lobo-guará, onça-pintada, tatu-canastra e tamanduá-bandeira são fortes candidatos a entrar para a publicação. Apesar de o levantamento não estar pronto, os coordenadores dos grupos responsáveis pelo trabalho apontam, com base em pesquisas anteriores, que alguns animais se encontram vulneráveis por aqui e no cenário nacional. No DF, há registros de 833 espécies de vertebrados. Do total, 26 estão na relação de risco de extinção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Para os analistas ambientais do Ibram e responsáveis pelo projeto, Almir Picanço de Figueiredo e Rodrigo Augusto Lima Santos, o estudo pode levar a surpresas ruins e, por isso, reforçam a importância da iniciativa local. “Algumas espécies podem estar fora de perigo ou em situação de vulnerabilidade no restante do país, mas, no Distrito Federal, correr sério risco de extinção”, explicou Figueiredo. Antes de partir para a elaboração da lista de ameaçadas, os biólogos do órgão identificaram todas as espécies registradas no DF.

O professor do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília (UnB) Jader Marinho Filho coordenará o grupo que vai elaborar a lista de mamíferos em risco. “Trata-se de um diagnóstico sobre a Fauna e o conjunto das análises local, regional e nacional que permite o direcionamento de ações de conservação”, afirmou.

O pesquisador adiantou que tem alguns candidatos a figurarem no livro. “O DF é uma unidade pequena em termos geográficos. As onças-pintadas, por exemplo, são avessas a processos humanos de urbanização e, certamente, estão impactadas. Ocorrem em baixíssima densidade, ou quase inexistente. A espécie de roedor Juscelinonys candango só foi coletada na década de 1960 e, somente aqui no DF, com certeza, está criticamente em perigo ou provavelmente extinta”, explicou.

Responsável pelo grupo de anfíbios, o biólogo e professor do Departamento de Engenharia Florestal da UnB Reuber Brandão apontou a importância do livro vermelho. “O trabalho vai ajudar a identificar os problemas de conservação das espécies dentro do DF. Apesar de haver grandes unidades de preservação, a lista pode acender uma luz de alerta para problemas de manutenção da Biodiversidade”, disse. “A lista serve para conservar as espécies e preservar as áreas delas, que são importantes para nós”, completou o professor do Departamento de Zoologia e coordenador do grupo de répteis, Guarino Colli.

Critérios

Para que um animal apareça na lista de ameaçados de extinção deve se encaixar em, pelo menos, um dos critérios estabelecidos. O pesquisador deverá observar se houve a redução da população nos últimos 10 anos, qual a distribuição geográfica, o tamanho da população e se existe pressão antrópica. Qualquer uma dessas características acende uma luz vermelha sob a espécie avaliada.

Os participantes do projeto ainda decidiram unir DF e Goiás, uma vez que as características ambientais são semelhantes entre as duas unidades da Federação. “Além disso, como a área do DF é pequena, são cerca de 6 mil quilômetros quadrados, qualquer animal analisado teria uma distribuição restrita e estaria vulnerável”, ponderou Figueiredo.

As espécies do DF listadas no livro vermelho serão divididas em categorias, que vão desde a menos preocupante até a extinta. Segundo Rodrigo Santos, esse tipo de levantamento gera ações positivas. “Facilita o pedido de verba para projetos de preservação, permite a elaboração de planos específicos de conservação e mais rigor na aplicação da lei. Se numa apreensão for constatado que os animais presos estão na lista, a multa pode ser maior. Ou se o animal em extinção só acontecer em determinada área, ficará mais difícil conceder o licenciamento ambiental”, explicou Almir.

O que diz a lei

A Lei Complementar nº 140, de dezembro de 2011, prevê a cooperação entre a União, os estados, o DF e os municípios para a proteção das paisagens naturais e do meio ambiente, o combate à poluição e a preservação das Florestas, da Fauna e da Flora. Antes apenas de competência do governo federal, o artigo 8 da norma estabelece que é obrigação dos estados e do DF executar e fazer cumprir a Política Nacional e Estadual do Meio Ambiente, articular a cooperação técnica, científica e financeira para as políticas, promover o desenvolvimento de pesquisas e estudos direcionados à proteção e à gestão ambiental, organizar e manter o Sistema Estadual de Informações sobre o meio ambiente, elaborar o zoneamento ambiental, definir espaços territoriais a serem protegidos, promover e orientar a Educação Ambiental e a conscientização pública para a proteção do meio ambiente e elaborar a relação de espécies da Fauna e da Flora ameaçadas de extinção.

 

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