Governo do Distrito Federal
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2/04/13 às 17h01 - Atualizado em 17/12/18 às 11h24

Na Mídia – Águas do Paranoá

Com novas regras para atividades e proteção das margens, governo tenta frear o assoreamento e outros problemas que ameaçam o lago. População usa cada vez mais o espelho d'água para a prática de esportes e lazer

(Matéria publicada na revista do Correio Braziliense Encontro Brasília, em janeiro de 2013)

Nadar, surfar, pescar, fazer um piquenique, curtir o pôr do sol. Tudo pode ser feito às margens do lago que embeleza Brasília – ou dentro dele, já que Brasília concentra a terceira maior frota de embarcações do país.

Construído para umidificar o clima seco do cerrado, deixar a cidade mais bonita e ser uma opção de lazer para a população, o lago Paranoá, porém, vive alguns problemas: o assoreamento, considerado o mais grave deles; o desmatamento das margens dos rios afluentes e o conflito de atividades dentro dele.

Para tentar protegê-lo, o governo divulgou recentemente o novo zonea-mento do lago Paranoá, delimitando as áreas de preservação às suas margens. Outra medida em gestação é o Plano de Gerenciamento de Segurança do Uso e da Ocupação do Lago Paranoá, que definirá regras e limites para as atividades dentro do lago, sobretudo para evitar acidentes.

Segundo o arquiteto e urbanista do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Pedro Braga, o novo zoneamento é fundamental para a sobrevivência do Paranoá. “Foram delimitadas duas zonas de vida silvestre nas margens de toda bacia hidrográfica do Paranoá que definem como elas podem ser usadas e ocupadas. Uma zona de conservação e outra de preservação. A primeira permite o uso do ambiente, mas de modo sustentável, e a segunda diz respeito a áreas mais prejudicadas, que necessitam de preservação total”, explica Pedro Braga.

Ele espera que o novo zoneamento seja cumprido à risca, pois condena ocupações irregulares e a expansão do espaço urbano para áreas verdes, causas do mais grave problema que assola o lago: o assoreamento.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranoá, Paulo Sérgio Salles, também acredita que essa é, de longe, a situação que mais preocupa em relação ao futuro do lago. “Medidas têm de ser tomadas urgentemente”, cobra Salles. O Comitê, explica ele, é a voz da sociedade civil em questões que dizem respeito ao lago. “É como se fosse o parlamento que discute o que deve ser feito no Paranoá”, compara. “Diversos órgãos e entidades têm assento e nos reunimos para debater os rumos do lago, mas não temos poder de decisão”, completa.

As discussões ambientais em torno do lago não impedem que o uso dele seja cada vez maior. Se na época da construção da cidade muitos duvidavam da viabilidade de escoar para o imenso buraco parte das águas dos afluentes da bacia do Paranoá, hoje o lago é fonte de negócios e de lazer para a população. Ficou para a história o diálogo de JK com um conhecido engenheiro da época, Gustavo Corção. Ele dizia que levariam, no mínimo, cinco anos para encher. Dois anos depois, como previsto, o então presidente Juscelino Kubitschek mandou um lacônico bilhete para Corção: “Encheu, viu?”.

Hoje, ao redor dele, estão 32 clubes, mais de 50 bares e restaurantes e 10 hotéis. Calcula-se que esses estabelecimentos somados empregam cerca de 16,6 mil pessoas. Além de movimentar a economia, é um importante ponto de lazer da população, embora a maioria não tenha o acesso merecido. É preciso encontrar as famosas quebradas para furar o bloqueio (veja na infografia) das casas e mansões que impedem o livre caminho até o Paranoá.

Os amigos Isiel da Silva, Alexandre Linhares e Alisson Nunes vão, no mínimo, uma vez por semana à Ermida Dom Bosco tomar banho. “Tem gente que vai para clube entrar em piscina. Eu não vejo sentido, prefiro mil vezes uma água natural, como a do lago”, diz. Ele rechaça o preconceito alheio: “Muita gente acha que é sujo, impróprio para banho. Mas não tem nada a ver, é até mais saudável que a piscina, cheia de cloro”, acredita.

O estudante Gustavo Ribeiro também prefere o lago como opção para se refrescar, e ainda leva companhia. Com frequência, ele leva seu cachorro à Península dos Ministros, onde é possível acessar o lago. “Ele passa o dia inteiro em casa, quando trago para o lago, ele fica feliz, não para de abanar o rabo. Adora nadar. É um ótimo programa para se fazer”, indica.

O vento e a limpeza das águas fazem do lago o local ideal para a prática de diversos esportes. A procura por exercícios que estão na moda, como o stand up paddle e o kitesurf, tem crescido a cada ano. A estudante Mariana Bressan conta que começou a fazer kitesurf há um ano e tenta suprir a ausência do mar praticando esporte no Paranoá. “Em dias que tem muito vento, o lago, aqui na Península, é ótimo para surfar. Tento vir aqui sempre que posso, a natureza me faz bem. É como se o lago fosse o nosso mar”, elogia.

Outra atividade largamente explorada no lago é a pesca, que sustenta cerca de 300 famílias. Hoje, 14% do pescado consumido no DF vem do Paranoá. Crisóstomo Moura é motorista, mas pesca ao menos duas vezes por semana. “Já garanti muitas refeições dos meus filhos assim. Sempre que venho aqui, saio com alguma coisa. Uma tarde inteira de pescaria dá mais ou menos 2 kg de comida”, conta.

Um ano após o enchimento do lago, o governo passou a introduzir peixes para dar vida ao ambiente. Na primeira leva, puseram mais de 160 mil espécimes na água. Quatro anos depois, foi feito um estudo que concluiu que o lago era ruim para a pesca.

Despejaram, então, mais peixes. Aquaristas amadores fizeram o mesmo e algumas outras espécies passaram pela barragem e vivem no Paranoá. Atualmente, não se sabe ao certo quantas espécies existem no lago, mas acredita-se que chega a 67.

Entre elas, está a carpa chinesa prateada, posta em 1990 por um estudo de biomanipulação feito pela Caesb. Hoje, a carpa é a maior espécie que vive no lago. Dizem que pescaram uma com 27 kg poucos anos atrás – seria história de pescador?

Construção do lago

Fazer um lago foi proposto pela Comissão de Estudos da Nova Capital da União, a segunda Missão Cruls, em 1894-1895. Portanto, o represamento da Bacia do Paranoá para formar um lago foi pensado ntes mesmo do concurso para o Plano Piloto de Brasília. A bacia tem quatro afluentes: ribeirão Bananal, ribeirão do Gama, ribeirão Bananal  ribeirão Riacho Fundo

Negócios às margens do Lago

>32 clubes margeiam o Paranoá.
>Mais ou menos 50 barese restaurantes estão à beira do lago.
>10 flats e hotéis têm vista ara o espelho d’agua.
>Calcula-se que 16,6 mil pessoas estão empregadas nos estabelecimentos à beira do lago.

Saiba mais
>Assoreamento é o excesso de areia, terra ou detritos no fundo do mar, rios ou lagos, que fazem com que o local encha e a terra ocupe o lugar da água.
>Desmatamento, invasão do espaço urbano, técnicas agrícolas erradas e tudo que faz com que o solo ique desprotegido, sem vegetação para segurar a terra, aceleram o assoreamento.
>Hoje, na altura das QL 1, 2, 3  4 do Lago Sul, a água deu lugar à terra.

 (Foto: Revista Encontro Brasília)

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