Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
8/03/16 às 19h26 - Atualizado em 17/12/18 às 11h25

Mulheres: não um dia, mas uma história

Há pouco mais de 100 anos as mulheres estavam em casa. Os talentos não desenvolvidos, a inteligência não estimulada, alienadas das decisões sobre a vida pública que as afetava. Muitos desejos e sonhos adormecidos.

A educação que recebiam tinha um componente paralisante que era o valor da obediência extrema a comandos externos e superiores, chegando à anulação de seus apelos interiores para realização profissional e participação social.

 Ali ficavam, amarradas por uma cultura que hierarquizava homens e as características do masculino sobre todos os outros componentes da população humana: as mulheres, idosos e crianças.  Esses só tinham precedência para alguma coisa quando ceder essa precedência honrava ainda mais os homens.

Todos praticavam os códigos dessa cultura de hierarquia entre gêneros. Os homens, pelo lugar confortável que ela lhes conferia. As mulheres, por crença nos códigos culturais que lhes dava esse lugar desfavorável.

Mesmo cuidando de casa e se ocupando do dia a dia das crianças, as mulheres teriam, se lhes fosse dada a oportunidade, uma tarefa muito relevante para a qual não recebiam os conteúdos libertadores: era educar e transmitir valores aos filhos, oferecer-lhes noções de igualdade social entre os gêneros, de cidadania, de generosidade com os desprotegidos, de doação de si para o bem comum. E, mais ainda, formar pessoas críticas em relação ao papel dos gestores da coisa pública, aquilo que, sendo de todos, era de cada um. Mas essa tarefa nunca foi pensada dessa forma e as mulheres passavam os dias na manutenção do bem estar físico do marido e filhos, da higiene do ambiente doméstico, pouco entendendo do mundo público, seus meandros, seus mecanismos, suas disputas, suas injustiças sanáveis por ações políticas com mais compromisso ético.

Ali ficavam. Mas algumas tinham uma inquietação mais apaixonada. Tinham uma autonomia de pensamento que as salvava daquela formação para obediência extrema e de auto negação. E olhavam lá para fora. Não conseguiam pensar em felicidade sem a liberdade de transitar entre o doméstico e o público, sem realizar o que sentiam como seus potenciais pessoais para cuidar da pequena comunidade humana que é uma família e também interferir de forma qualificada nos espaços públicos.

E por causa dessas inquietas, da cumplicidade de homens que também superaram criticamente a cultura injusta de seu tempo, aqui estamos nós no espaço de um órgão ambiental, numa atividade fundamental para que exista água, comida, conforto climático para todos.

Vencemos milhares de anos de “confinamento” cultural. Em pouco mais de 100 anos aprendemos tudo que os homens construíram para si e podemos atuar em qualquer lugar que a atividade humana constitua. Temos características que favorecem a inclusão, a justiça, a fraternidade e o amor. Agora é preciso que tudo isso se reflita em uma qualidade melhor do mundo em que vivemos.

Jane Vilas Bôas

Presidente do IBRAM

Brasília Ambiental - Governo do Distrito Federal

SEPN 511 - Bloco C - Edifício Bittar - CEP: 70.750-543