Governo do Distrito Federal
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4/07/18 às 22h51 - Atualizado em 17/12/18 às 11h25

Invasão de capins e animais exóticos é tema de workshop no CPS

 

Pelo menos oitenta cientistas, técnicos e autoridades da área ambiental do DF e do Governo Federal se reúnem, durante toda esta quinta-feira, 5 de julho, a partir das 9h, para discutir um sério problema enfrentado pelo Cerrado do Distrito Federal. Trata-se da invasão de centenas de espécies exóticas invasoras da fauna e da flora locais, gramíneas e outras plantas capazes de desequilibrar o ecossistema, além de animais, peixes e pássaros, com consequências imprevisíveis para o meio ambiente. O workshop organizado pelo Instituto Brasília Ambiental, Ibram, ocorre no CPS, Centro de Práticas Sustentáveis do órgão, no Jardins Mangueiral, um prédio todo sustentável inaugurado em abril passado.

Os especialistas e técnicos vão debater e trocar informações sobre uma lista de espécies que vem sendo elaborada há alguns anos, a partir de estudos do ICMbio e do MMA, e envolvendo o Ibram e vários outros órgão do DF, além de universidades, entidades ambientais e colaboradores, relacionando espécies da fauna e da flora exóticas que invadiram o Cerrado original desde a ocupação dessa área, décadas passadas.  O objetivo é analisar impactos e as ameaças que representam à fauna e à flora nativas.

 

“Oportunizadas por suas vantagens competitivas e favorecidas pela ausência de inimigos naturais, essas espécies têm grande capacidade de proliferar e invadir ecossistemas, sejam eles naturais ou antropizados, e é isso que estamos analisando em relação ao nosso Cerrado”, afirma Alisson Neves, um dos coordenadores do estudo e chefe da Unidade de Tecnologia e Gestão da Informação Ambiental do Ibram. Para a elaboração da lista, vários encontros técnicos foram realizados e uma Consulta Pública foi lançada pela Ibram, meses atrás, esperando novas contribuições. Agora o objetivo é reunir a comunidade científica, os setores produtivos e a sociedade civil para se debater os manejos necessários que permitam proteger o Cerrado do Distrito Federal, acrescenta ele.

 

CLIMA – Outro aspecto que será discutido é o impacto dessas invasões no clima local. “Estas espécies são beneficiadas pela degradação ambiental, e são bem sucedidas em ambientes e paisagens alteradas. Além disso, o seu potencial invasor e a severidade dos impactos causados pelas invasões podem ser intensificados ou interferir nas mudanças climáticas”, diz ainda, fazendo referência, por exemplo, ao aumento das queimadas durante a seca, em tese favorecido pelo excesso de capins exóticos existentes na paisagem do Cerrado.

 

São ervas e gramíneas que foram inseminadas no passado para formar pastos e forragens se reproduziram depois sem controle. Entre os exemplos ele cita os capins Cana-do-reino (Arundo dona), Jaraguá (Hyparrhenia rufa), Trapoeraba (Tradescantia zebrina), o Capim colonião (Urochloa máxima), o Capim Gordura (Melinis minutiflora), além das muitas variedades da Braquiária (Brachiaria decumbens).

 

GATOS E JAVALIS – A fauna original do ecossistema do Cerrado também tem muitos casos de espécies exóticas que proliferaram. Na lista prévia levantada pelos cientistas do Ibram, do ICMbio e do MMA constam, por exemplo, o Javali (Sus scrofa), o Mico do tufo branco (Callithrix jacchus) e até o gato doméstico (Felis catus). Entre centenas de aves consideradas invasoras, estão algumas como o Pombo (Columba Lívia), Galo de Campina e até pardais. Também são relacionados dezenas de repteis, como o Jacaré-açu (Melanosuchus Níger) e peixes trazidos para habitar lagos e rios, como a Tilápia (Tilapia rendalli) e Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus), o Bagre africano (Clarias gariepinus) a Carpa comum (Cyprinus carpio) Carpa prateada (Hypophthalmichthys molitrix), o Black-bass (Micropterus salmoides), o Tucunaré (Cichla ocellaris) e outros.

 

Os órgãos que participam do encontro desta quinta,5, no CPS, são Ministério do Meio Ambiente, Embrapa,Fundação Jardim Botânico, Fundação Zoologico, IBGE, Ibama, Universidade Católica, UnB, Seagri, Segeth, Sinesp, Emater, Conam e entidades da sociedade civil.

 

 

 

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