Governo do Distrito Federal
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6/12/16 às 13h36 - Atualizado em 17/12/18 às 11h25

IBRAM produz estudo inédito sobre o atropelamento de animais

Com o objetivo de estimar com mais exatidão a mortalidade de animais nas rodovias do Distrito Federal, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), por meio da sua Superintendência de Estudos, Programas, Monitoramento e Educação Ambiental (SUPEM), realizou um estudo inédito na região com base nos dados do projeto Rodofauna.

De abril de 2010 a março de 2015, foi realizado o monitoramento da fauna silvestre atropelada em locais pré-selecionados próximos a unidades de conservação no Distrito Federal. O projeto registra e georreferencia os animais atropelados ao longo das Zonas Núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado. As áreas monitoradas compreendem o entorno da Estação Ecológica Águas Emendadas (Esecae), do Parque Nacional de Brasília (PNB), Jardim Botânico de Brasília (JBB), da Reserva Ecológica do IBGE e Fazenda Água Limpa, da Universidade de Brasília (FAL/UnB). Juntas, as vias totalizam aproximadamente 114 quilômetros.

Nos cinco anos do Rodofauna, foram percorridos 55.176 quilômetros em 484 incursões, tendo sido registrados 5.355 animais atropelados, dos quais 4.442 (83%) eram silvestres e 583 (17%) eram domésticos. No entanto, este monitoramento, por mais criterioso que seja, não consegue fornecer a real dimensão do problema. Para aproximar ao máximo as estimativas de mortandade da realidade, Rodrigo Santos, da Gerência de Monitoramento da Qualidade Ambiental e Gestão dos Recursos Hídricos (GEMON) da SUPEM, realizou dois experimentos:

Avaliação da remoção das carcaças
Para avaliar o tempo de remoção de carcaças, as rodovias foram monitorada durante quatro dias (96 horas) consecutivos, mensalmente, desde março de 2013 a abril de 2015 (26 campanhas amostrais no total). A proposta foi quantificar o erro de amostragem estimando o tempo de duração de uma carcaça na pista e, assim, chegar a um número aproximado de atropelamentos.

Avaliação da detectabilidade das carcaças
Para analisar a detectabilidade da fauna atropelada foram realizadas campanhas mensais (24 no total), de maio de 2013 a abril de 2015, por meio de veiculo e a pé, simultaneamente. Dessa forma, foi possível estimar a quantidade de carcaças que escapavam à equipe durante os monitoramentos por carro.

Conclusões
Os resultados obtidos são surpreendentes. Somente no trecho monitorado pelo Projeto Rodofauna, que corresponde a 114 km no entorno de cinco unidades de conservação do DF, estima-se que 34.310 animais morrem anualmente nessas rodovias. Desse total, estima-se que 71% sejam aves, 20% répteis e 9% mamíferos.

Quando extrapolamos esse valor para as rodovias com características similares ao trecho monitorado pelo Rodofauna no Distrito Federal (350 quilômetros aproximadamente) estima-se que 106.032 animais morram anualmente no Distrito Federal. No entanto, esse número deve ser considerado com cautela.

Os dados obtidos pela pesquisa irão subsidiar a formulação de políticas públicas, a administração das Unidades de Conservação, pesquisas relacionadas ao tema, entre outras atividades. Agora, a próxima etapa do projeto é elaborar um mapa de distribuição potencial de atropelamentos para todas as estradas do Distrito Federal, o que já está em fase de desenvolvimento. Após a conclusão dessa fase, o estudo será entregue para o Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) e para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

“Uma máxima do planejamento determina que o que não se mede não se pode gerenciar. E os valores encontrados neste estudo pioneiro e relevante deixam clara a necessidade de mais gerenciamento, por meio de ações de educação ambiental, de adequação na sinalização de vias (principalmente perto de unidades de conservação, corpos hídricos e outros atrativos de fauna), de instalação de controladores e redutores de velocidade e de aprimoramento nas condicionantes de licenciamento ambiental que minimizem o impacto de nossas rodovias para os outros seres vivos”, afirma o superintendente da SUPEM, Luiz Rios.

O estudo foi publicado, em inglês, na plataforma Plos One e pode ser lido clicando aqui.

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