Governo do Distrito Federal
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25/05/21 às 9h37 - Atualizado em 25/05/21 às 10h03

Características do Javali (Sus scrofa scrofa) e do Javaporco (Sus scrofa)

Histórico

O javali é uma espécie de porco europeu que teve seu primeiro registro na América do Sul datado por volta de 1904 na Argentina. Acredita-se que a invasão do javali asselvajado tenha ocorrido pela fronteira sudoeste do Rio Grande do Sul com o Uruguai. Na década de 90 também ocorreram importações de javalis puros destinados a criadouros dos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul para comercialização da carne (IBAMA, 2020).

 

O escape de animais de criadouros contribuiu para a dispersão desses animais em território brasileiro. Essa introdução em ambientes naturais provoca impactos ambientais como:  a diminuição e morte de diversas espécies nativas da flora e risco à fauna, pois o javali é predador de ovos e filhotes de outras espécies;  transmissão de doenças para os animais nativos; aceleração do processo de erosão e o aumento do assoreamento dos rios (IBAMA, 2020).

 

Sua facilidade de adaptação e a ausência de predadores naturais colocam o javali na lista das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo. Diante do impacto dessa espécie, foi elaborado em 28 de junho de 2017, o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil coordenado pelo IBAMA (Portaria Interministerial MMA/MAPA).

 

Como identificar um javali ou javaporco

Para a região do Distrito Federal ocorrem duas espécies de porco nativo, ambos de menor porte que o javali, que não podem ser confundidas com a espécie de porco exótico, que são  o caititu (Pecari tajacu) que tem como marca registrada uma faixa de pelos brancos em formato de colar em seu pescoço e a queixada (Tayassu pecari) que apresenta pelos brancos no queixo entre outras características. Outra diferença marcante são os caninos que nos javalis crescem encurvados para fora do focinho, enquanto que nas espécies nativas brasileiras eles crescem retos. As duas espécies de porcos nativos devem ser preservadas.

Pecari tajacu. Fonte:http://www.zoo.df.gov.br/cateto/

 

Tayassu pecari. Fonte: https://ecoa.org.br/olha-o-bicho-queixada/

 

O javaporco é um híbrido do porco doméstico (Sus scrofa domesticus) e do javali (Sus scrofa). A sua hibridação foi realizada de forma intencional em alguns criadores para consumo da carne. Contudo, espécies do javali que escaparam dos criadouros se adaptaram ao ambiente natural,  eventualmente cruzando com o porco doméstico. Essa espécie assume diferentes formas: nativa, doméstica, asselvajada e miscigenada.

 

Popularmente, a forma doméstica da espécie é chamada de porco e a forma selvagem, de javali. A Instrução Normativa Ibama nº 03/2013, de 31 de janeiro de 2013 considerou, para a finalidade de controle como javali, a espécie exótica invasora javali-europeu, de nome científico Sus scrofa, em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco doméstico. Portanto, ambas as espécies (Sus scrofa scrofa Sus scrofa) são abrangidas pela referida instrução normativa.

 

Tanto o javali quanto ao javaporco possuem taxas reprodutivas altas, com média de seis a dez filhotes por gestação, hábito noturno, habitam desde áreas agrícolas e urbanas, até áreas naturais abertas e florestais. Se alimentam de frutos, sementes, folhas, raízes, brotos, bulbos, animais, fungos e carniça. O javali pode pesar cerca de 80kg e medir em média de 1,30 a 1,40 e o javaporco pode pesar mais de 130kg com comprimento médio de 1,30 a 1,80 metros.

Javali. Fonte: http://www.ibama.gov.br/phocadownload/biodiversidade/javali/ibama-cartilha-javali_asselvajado.pdf

Javaporco. Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/pressionado-governo-franca-recua-e-regula-caca-de-javaporco-no-estado.shtml

 

Quais os sinais da presença de Javalis

Pegadas. As pegadas do javali são facilmente reconhecidas, pois são mais robustas em relação às de outros animais com casco. A características mais relevante das pegadas está no fato de serem as únicas que é possível observar claramente a marca deixada pelos esporões (unhas secundárias), implantados a uma curta distância das unhas centrais

Pegada de javali. Fonte:https://www.istockphoto.com/br/foto/pegada-de-javali-gm820749184-132627207

 

Áreas fuçadas. O javali tem o hábito de revolver e escavar o solo com o focinho, deixando marcas evidentes nos terrenos. As áreas de banhados também podem apresentar marcas de revolvimento e escavação, além de serem utilizadas como ‘‘banheiras de lama’’ para regulação da temperatura corporal e higiene (desparisitação).

Fonte: https://www.istockphoto.com/br/foto/selvagem-porco-som-de-lama-gm510077064-86103219

 

Marcação nas árvores. O javali esfrega seu corpo contra a árvore deixando seu cheiro. A marcação nas árvores ocorre como uma forma de comunicação entre os javalis e entre outras espécies.

Fonte: https://www.alamy.com/stock-photo-wild-boar-pig-wild-boar-sus-scrofa-tusker-rubbing-at-a-tree-after-47940454.html

 

Estrago nas plantações – Os javalis costumam andar em bando e o seu hábito de forragear plantações, principalmente milho, costumam destruir partes do plantio com o consumo dos alimentos produzidos e com o pisoteio da plantação.

Fonte: https://www.sindruralpg.com.br/single-post/2016/04/11/javalis-vem-causando-preju%C3%ADzos-nos-campos-gerais

 

Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil

Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali (Sus scrofa) no Brasil (Plano Javali) estabelece as ações necessárias para conter a expansão territorial e demográfica da espécie no país e reduzir os seus impactos, especialmente em áreas prioritárias de interesse ambiental, social e econômico.

 

O Plano Javali é coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e representa um esforço em busca da integração da conservação de espécies e ecossistemas nativos com ações de mitigação de danos socioeconômicos e de saúde pública. O plano contempla sete objetivos específicos com 78 ações a serem desenvolvidas de novembro de 2017 a janeiro de 2022 em todo o território nacional.

 

Legislação

A Instrução Normativa Ibama nº 03/2013 que decreta a nocividade do javali e dispõe sobre seu manejo e controle, foi acrescida de disposições dadas pela IN Ibama nº 12, de 25 de março de 2019. De acordo com as alterações, fica instituído o Sistema Integrado de Manejo de Fauna (SIMAF), como sistema eletrônico para recebimento de declarações e relatórios de manejo da espécie exótica invasora javali (Sus scrofa).

(…)

Art. 2º.

§ 1º Para os fins previstos nesta Instrução Normativa, considera-se controle do javali a perseguição, o abate, a captura seguida de eliminação direta de espécimes. (NR)

§ 2º O controle do javali será realizado por meios físicos, neles incluídos como instrumentos de abate as armas brancas e de fogo, sendo vedada a prática de quaisquer maustratos aos animais.

§ 3º O emprego de substâncias químicas, salvo o uso de anestésicos, somente será permitido mediante autorização de manejo de espécies exóticas invasoras que deverá ser solicitada no SIMAF. (NR)

(…)

§ 5º Fica autorizado o uso de armadilhas do tipo jaula ou curral, que garantam o bem-estar animal, segurança e eficiência, preferencialmente conforme modelo descrito no Anexo I, sendo proibidas aquelas capazes de matar ou ferir, como, por exemplo, laços e dispositivos que envolvam o acionamento de armas de fogo.

I – As armadilhas devem ser visitadas diariamente para o abate de javalis ou libertação de animais de espécies que não são alvo de manejo. (NR)

(…)

§ 7º O controle de javalis em domínio privado poderá ser proibido pelo respectivo titular ou detentor do direito de uso da propriedade, assumindo estes a responsabilidade pela fiscalização em seus domínios. (NR)

(…)

§ 9º Admite-se o uso de cães, na atividade de controle, independentemente da raça, sendo vedada a prática de quaisquer maus-tratos aos animais, devendo o abate ser de forma rápida, sem que provoque o sofrimento desnecessários aos animais.

§ 10. Os custos referentes ao manejo do javali previstos nesta norma são de responsabilidade exclusiva dos responsáveis pelo manejo. (NR).

 

Referências bibliográficas

IBAMA. Instrução Normativa No 3 de 31 de janeiro de 2013 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recurso Naturais Renováveis (IBAMA). Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2013

 

IBAMA, Manual de Boas Práticas para o Controle do Javali do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recurso Naturais Renováveis (IBAMA). Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2020

 

SILVA, Julyanna Andrade. Rendimentos de abate e aspectos tecnológicos de Javaporco (Sus scrofa javaporco). 2011. 62 f. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas, 2011. Disponível em: <http://hdl.handle.net/11449/88435>.

 

WICKLINE K. “Sus scrofa” “Wild Boar” (On-line). Animal Diversity Web. 2014. [Acesso em 04 mai 2021]. Disponível em: https://animaldiversity.org/accounts/Sus_scrofa/

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