Governo do Distrito Federal
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12/11/12 às 12h30 - Atualizado em 17/12/18 às 11h24

Ação coordenada pelo Ibram reúne jovens para atuarem como agentes comunitários em prol da conscientização ambiental

Aos 24 anos, Camila Castelo conta que na região onde mora, em Brazlândia, ela vê com frequência produtores rurais depositando embalagens vazias de agrotóxico às margens dos cursos d´água da região. Ela e a colega, Tayrone Oliveira, de 20 anos, são alunas do Incra 8 e moram na região rural de Brazlândia. Junto com outros 28 alunos, as estudantes começaram nesta segunda-feira, 11 de junho, o curso de formação de Agentes Comunitários Ambientais – uma ação promovida pelo grupo de educação ambiental do Projeto Descoberto Coberto.

De acordo com Aline Barreto – membro da equipe do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que desenvolve a ação -, Camila e Tayrone se tornarão agentes multiplicadores junto à comunidade onde vivem para a conscientização ambiental dos produtores rurais sobre problemas que incluem não apenas o descarte inadequado das embalagens de agrotóxicos, mas também o uso consciente da água e a gestão adequada dos resíduos sólidos.

A atividade de formação dos Agentes Comunitários Ambientais foi possível por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) – representado pela promotora Marta Eliana de Oliveira, da Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural (Prodema) – e a União Norte Brasileira de Educação e Cultura (Unbec), instituição mantenedora do Colégio Marista. O TAC, assinado em novembro do ano passado, prevê ações de compensação ambiental.

O curso de formação acontece até sexta-feira, 15 de junho, no Centro Marista de Formação Vila Champagnat, localizado no Incra 7, e irá promover palestras de representantes de diversos órgãos que integram o Projeto Descoberto Coberto – como a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb) e a Agência Distrital de Água, Energia e Saneamento Ambiental do DF (Adasa). Entre as atividades previstas está uma visita à Associação de Catadores de Brazlândia (Acobraz) e uma oficina sobre compostagem. Segundo Aline Barreto, o curso irá preparar os alunos para as visitas nas propriedades rurais da região.

Uma apresentação musical com o grupo Amigos da Transformação deu início às atividades do curso de formação já destacando a importância da conscientização ambiental

Durante o início das atividades do curso, a promotora Marta Eliana lembrou que a preservação do meio ambiente é dever de todos, conforme prevê a Constituição Federal. “E para viabilizar esta preservação é preciso formar uma rede de colaboradores que seja capaz de promover uma transformação interior em cada cidadão, para que todos internalizem essa visão de mundo baseada no respeito ao ambiente em que vivemos”, destacou. Membro da Associação Pró-Descoberto, que também integra o Projeto, Rosane Cristina Carneiro afirmou que o grande mérito da iniciativa é garantir a interação entre governo e produtores rurais. “A partir de agora vocês serão nossos agentes nas propriedades. É graças ao trabalho de cada um que poderemos estimular outros produtores rurais a integrarem o Descoberto Coberto”, disse Rosane aos alunos.

Jéssica Ferreira, aluna do 3º ano do Incra 9, considera que o trabalho junto aos chacareiros será um desafio, já que muitos deles podem mostrar resistência às atividades dos agentes. “Mas devagar eles vão sim compreender a importância desta ação e de nos ajudar a trabalhar em prol do meio ambiente”, destacou.

Como funciona

A seleção dos 30 alunos que irão atuar como agentes comunitários ambientais foi feita com alunos de 2º e 3º ano do ensino médio nos Incras 8 e 9, em Brazlândia. A equipe da Coordenação de Educação Ambiental (Codea) do Ibram visitou os colégios e apresentou a proposta de trabalho. Depois das inscrições, foram realizadas entrevistas para selecionar os alunos que fariam parte da ação.

O trabalho dos agentes terá duração de três meses. Nesse período eles irão visitar propriedades rurais da região do Lago do Descoberto. A expectativa é de que os estudantes já comecem a trabalhar no final deste mês de junho. Além do viés ambiental, como destacou Aline Barreto, esta ação possui também sua importância social: no período em que estiverem atuando como agentes comunitários ambientais, os jovens irão receber o pagamento pelos serviços prestados com carteira assinada. “É uma oportunidade de geração de renda, já que para muitos destes alunos será a experiência do primeiro emprego”, afirmou Aline.

O Projeto

O Rio Descoberto responde por mais de 60% do abastecimento da população do Distrito Federal. É lá que a Caesb possui hoje a maior rede de captação de água. Na lista dos principais problemas ambientais existentes na Bacia Hidrográfica do Descoberto e que afetam a qualidade e quantidade dos recursos hídricos dali provenientes estão o desmatamento, erosões, expansão desordenada das cidades, parcelamentos irregulares de terra e impermeabilização do solo.

O Projeto Descoberto Coberto prevê ações de reflorestamento da área de preservação permanente (APP) do Lago e de seus afluentes, de educação ambiental, de cadastramento e regularização das outorgas para captação de água, bem como de estruturação de benfeitorias para a região. Entre os integrantes do Projeto estão Ibram, Adasa, Caesb, Associação Pró-Descoberto, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Terracap.

Ao todo, o Projeto prevê atender 73 chácaras existentes às margens do Descoberto. Desde 2009, já foi realizado o plantio de mais de 139 mil mudas em 39 propriedades rurais existentes na orla do Lago e em propriedades que estão à beira dos seus afluentes.

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(Foto: César Moura)

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